Um grupo de cidadãos lançou um manifesto pela CP pública, una e nacional, contestando a intenção do Governo de concessionar a operadores privados os serviços urbanos da CP considerados mais rentáveis.
O documento sustenta que a ferrovia pública é um elemento essencial para garantir uma mobilidade sustentável, acessível e integrada em todo o país.
Os subscritores argumentam que o transporte ferroviário de passageiros desempenha um papel determinante na redução da poluição, na melhoria da mobilidade nas áreas metropolitanas e na construção de cidades mais habitáveis.
O manifesto alerta para o facto de a concessão dos serviços urbanos da CP poder representar mais um passo num processo de privatização de serviços essenciais, seguindo uma estratégia já aplicada noutros sectores.
O documento critica ainda o que considera ser uma degradação progressiva do serviço ferroviário ao longo dos últimos anos, apontando problemas relacionados com o estado das infraestruturas, restrições de velocidade, atrasos frequentes e insuficiente renovação da frota. Os autores defendem que muitas destas dificuldades resultam de opções políticas acumuladas ao longo do tempo, e não da natureza pública da empresa.
Entre os exemplos apresentados, o manifesto refere o aumento da taxa de utilização da infraestrutura ferroviária paga pela CP à Infraestruturas de Portugal e recorda que cerca de quatro em cada dez comboios da empresa circulam com atrasos.
É igualmente destacado o envelhecimento do material circulante, situação que levou, segundo o documento, à manutenção de equipamentos muito antigos em algumas linhas para assegurar a continuidade do serviço.
Os subscritores consideram que a entrega dos serviços urbanos de Lisboa e do Porto a operadores privados retiraria à CP uma parte substancial das suas receitas, colocando em risco a sustentabilidade económica do serviço público ferroviário nacional. O manifesto refere que 52% das receitas de bilheteira e 88% dos passageiros da empresa provêm dos serviços urbanos, citando dados de 2024.
O texto sustenta que a fragmentação da operação ferroviária dificultaria uma gestão integrada da frota, dos recursos humanos especializados, das oficinas e das peças de manutenção, reduzindo a capacidade de resposta às necessidades do sistema ferroviário nacional. Os promotores defendem, por isso, uma CP pública, una e de âmbito nacional, capaz de assegurar de forma articulada os serviços urbanos, regionais e de longo curso.
Os primeiros subscritores deste manifesto são: Abílio Carvalho, Ferroviário, Dirigente Sindical * Ana Teresa Vicente, Presidente da Câmara de Palmela * António Domingues, Maquinista, Dirigente Sindical * António Durães, Actor e Encenador * Armando Teixeira, Engenheiro Químico e Escritor; Arménio Carlos, Ex-Secretário Geral da CGTPIN * Bruno Dias, Técnico de Comunicação * Carlos Pinto, Professor * Carlos Roxo, Arquitecto Ferrovário * Catarina Cardoso, Ferroviária, Comissão de Trabalhadores da CP * Demétrio Alves, Investigador HTC-UNL * Fernando Casaca, Professor, Encenador e Dramaturgo * Fernando Semblano, Ferroviário, Comissão de Trabalhadores da IP * Francisco Asseiceiro, Engenheiro Ferroviário * Francisco Mangas, Jornalista * Francisco Jesus. Presidente da Câmara de Sesimbra * Hilário Teixeira, Ferroviário, ex. Deputado Constituinte * Humberto Costa, Dirigente do MUSP * Isabel Camarinha, Ex-Secretária Geral da CGTPIN * João Rodrigues, Economista * Joaquim Gonçalves, Dirigente do MURPI * José Carlos Barbosa, Engenheiro Ferroviário, CP * José Manuel Oliveira, Ferroviário, Dirigente Sindical * Júlio Marques, Ferroviário, Dirigente Sindical * Luís Bravo, Revisor, Dirigente Sindical * Manuel Carvalho da Silva, Investigador, Professor Universitário e Ex-Secretário Geral da CGTP-IN * Manuel Loff, Historiador * Miguel Rato, Comissão de Utentes da Linha de Sintra * Miguel Szymanski, Jornalista * Nuno Clímaco, Engenheiro Ambiental, Comissão para a Defesa da Linha do Oeste * Nuno Ramos de Almeida, Jornalista * Paulo Ferrão, Engenheiro Ferroviário, CP * Paulo Silva, Presidente da Câmara do Seixal * Pinheiro Henriques, Economista * Rego Mendes, Engenheiro Ferroviário * Rui Coito, Comissão para a Defesa da Linha do Oeste * Rui Couceiro, Escritor e Editor * Rui Pereira, Professor Universitário * Rui Raposo, Comissão para a Defesa da Linha do Oeste * Rui Sá, Engenheiro * Sérgio Pissarra, Engenheiro Ferroviário, IP
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